domingo, 14 de agosto de 2011

meu pequeno anjo,

vi-te logo no dia em que te deste a conhecer ao mundo. olhei para ti enroscado nas roupas amarelas. logo, ali, sob o ar assustador do hospital, tu despertaste em mim um enorme orgulho. já gostava de ti. mal sabia eu que, posteriormente, todo o orgulho que sentia por ti se ia converter numa ligeira mágoa. meu anjinho, eu gostava de ti, gostava de quando sorrias bem alto e contagiavas o mundo. gostava de ti quando corrias livremente pelo jardim, caías e te levantavas afirmando a tua valentia. gostava de ti quando eras atraiçoado pelas palavras difíceis dos adultos. gostava de ti quando dormias como um anjo e me acordavas carinhosamente. mas sabes, sinto mágoa. todavia, gosto de ti quando me insultas. gosto de ti quando finges não me conhecer. gosto de ti quando me rebaixas. gosto de ti quando me pontapeias. gosto de ti quando me maltratas e quando me gritas. gosto de ti mesmo que nunca tenhas corrido para os meus braços, mesmo que nunca me tenhas dado um beijo só porque sim. gosto de ti mesmo que nunca me tenhas expressado num desenho e mesmo que mal te lembres de mim. afinal de contas, o meu coração abriu-se para ti no dia em que nasceste e por mais que me doa, por mais que me faças chorar, eu continuo a gostar de ti. 
venha o que vier, faças o que fizeres, aconteça o que acontecer, doendo ou não : vou gostar de ti para sempre !

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

liness

entrei , olhando em redor, interpretando a solidão compenetrada nas paredes deslavadas. fechei a porta ao mundo grosseiro que nos domina. sentei-me sobre a colcha delicadamente decorada e deixei cair toda a minha existência sobre a imensidão de tecido. os raios solares tentavam a todo o custo invadir o meu espaço. contornavam os mais diversos obstáculos e chegavam sempre até mim. toda aquela luminosidade me assustava. era quente e não me deixava ver com clareza. os meus olhos resistiam-lhes impedindo-me de ver o que quer que fosse através daquela luz. talvez estejam cansados. provavelmente, também eu estou cansada de olhar apenas à minha volta e não para mim. com o decorrer do tempo, o Sol foi desaparecendo no horizonte, a noite começou a cair. eu permanecia ali sozinha. sufocava com cada uma das inspirações. expirava fortemente, na tentativa de expulsar todos os tormentos. por cada tentativa falhada sentia-me fraca, submissa, até mesmo atroz... continuava assim, perdida na solidão do mísero quarto que todas as noites me recebe... continuo a voltar lá, nunca sendo capaz de alcançar aquilo que quero.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

awesome.

não sei bem o que sinto. muito menos aquilo que penso. a capacidade de desenhar o futuro sem rabiscar torna-se cada vez mais inatingível. é a dor do medo. é a incompreensão do que aí vem. é o receio da distância.