sexta-feira, 20 de maio de 2011

amar (te) é a minha lei .

Não veio num cavalo branco. Não me fez uma serenata à janela. Não vinha vestido com indumentárias reais. Nada daquilo que existe nas histórias de encantar foi preciso para que, no momento mais inesperado, se tornasse num príncipe encantado. Não era loiro, nem tinha olhos azuis (não que considere este perfil o ideal)... Não me enviou cartas de amor, não disse em frente dos amigos que me ia conquistar...
Subtilmente, aproximou-se, pediu, carinhosamente, licença para entrar... Segurou a minha mão e abriu-me o coração. O olhar profundo invadiu-me e as dóceis palavras fizeram-me brilhar. Naquele momento havia ganho uma estrela, uma estrelinha que me iria acompanhar sempre. O nome dele ficou tatuado na história da minha vida e não há cirurgia que permita a sua remoção.
Não veio num cavalo branco, mas é, sem dúvida alguma, o meu príncipe .


[sempre e para sempre, 28.03.2010]

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um minuto de orgulho .

Estava sentada na cadeira vermelha, bastante confortável por sinal, quando, sob toda uma excitação própria das crianças em momentos de euforia, ouço o anúncio da entrega de prémios. Os ânimos acalmaram e aquele microfone entoa a voz da directora.
"Ensino Secundário. Texto Livre." As minhas pernas tremiam, sentia o coração aos saltos... Quando, de repente, ela retoma as palavras e anuncia "Primeiro prémio... Rafaela Silva, 11ºA3"... Levantei-me e desci as escadas do imenso auditório, cumprimentei aqueles que, carinhosamente, me davam os parabéns. Subi ao palco e recebi o tal diploma junto com um papel dourado embrulhando dois livros. De repente, os flashs dispararam e eu ainda tremia. Tinha borboletas na barriga. Tinha ganho e ainda não estava consciente disso.
Foi um prémio ganho graças àqueles que todos os dias me incentivaram a continuar a escrever. Aqueles que leram as minhas míseras palavras, aqueles que me deram um abraço e me pediram para concorrer. Aqueles que nunca me rebaixaram. Aqueles que olham para mim e ainda têm algum orgulho naquilo que sou capaz de fazer.
Obrigado a todos. Este prémio é de todos vós, também.

sábado, 16 de abril de 2011

Obrigada !

O grito assustado despertou o pânico e ao mesmo tempo a frieza. Liguei o 112 e implorei uma ambulância. Ele tinha caído e o sangue escorria-lhe, fazendo-o perder a esperança de continuar a viver. Naquele momento, despediu-se de nós, disse-nos que gostava de nós e afirmou que partia, que nos deixaria... Ouço de imediato a sirene da ambulância, acreditei que eles o salvariam, mas o estado dele assustava-me. Impediram-me de estar perto dele, pois as lágrimas de desespero invadiram-me impiedosamente. Ouvia-a chorar desesperadamente. Estávamos ambas em pânico e só pensávamos naquilo que lhe poderia acontecer. Era o meu pai. Estava coberto de sangue e a sofrer. Imobilizaram-no e vi-o ali, deitado numa maca, a entrar numa ambulância. Era o meu pai que estava ali. Tive tanto medo de o perder. Mas eu sabia, lá no fundo, que um anjinho o tinha protegido e que ele ia voltar. As lágrimas teimavam em cair e o coração estava apertado. O nó na garganta impedia-me de falar. A ambulância partiu. Levava o meu pai. No hospital estava a minha irmã, preparada para longas horas de angústia ao lado dele em busca de trazer boas notícias. Sentei-me no sofá e não mais saí de lá. Agarrei-me ao telemóvel e esperei ansiosamente pelo telefonema dela. O telemóvel vibrou, corri para ele, apenas dizia que estava consciente e ia fazer exames. Foi uma tarde de tormento. Era o meu pai. Apesar de tudo, era o meu pai e eu precisava muito dele. À partida, não seria nada de grave, tendo em conta o sucedido. O anjinho esteve lá e protegeu-o. Eram duas horas da madrugada. Acordo sobressaltada com o telemóvel a tocar. Era a minha irmã. "Vamos buscar o pai", ouvi do outro lado. Julguei estar a sonhar. Mas não, levantei-me e chamei a mãe. Fomos, na noite gélida, buscá-lo aquele sítio tumultuoso. De repente, olho e vejo-o a caminhar vagarosamente. Senti um enorme aperto no peito. Nunca o tinha visto assim. Estava tão debilitado... A noite foi calma, contudo nem o sono me deixou dormir. Estava aflita e não me conseguia abstrair do momento em que o vi sentado no chão expelindo sangue como uma fonte de água. No dia seguinte, as dores permaneciam, metemo-nos no carro e rumámos a outro hospital. Entrei lado a lado com ele. Ganhei força e coragem, cresci naquele momento e acompanhei-o em todos os corredores daquele imenso hospital. Olhava para ele e sentia vontade de chorar, mas de imediato sentia algo que me encorajava de novo. O cansaço era muito, mas a vontade de o ver melhor era maior e não permitiu que eu desistisse. Lutei contra o cansaço e contra a fome. Aliás, a certa altura deixei de sentir o que quer que fosse. Ansiava que a porta do gabinete se abrisse e me dissessem que ele estava bem. Vagueei dum lado para o outro. Olhei o relógio vezes sem conta. Pedi a Deus que o ajudasse naquele momento. Implorei ao anjinho da guarda que o protegesse.  A porta abriu. Aproximei-me a medo e ouvi-a dizer que o meu pai estava bem. Vi-o a sorrir e com melhor aspecto. Deu-me vontade de chorar, mas tinha de manter a postura. Saímos do gabinete. Estava aliviada, tinha tratado bem dele e eu tinha conseguido aguentar todas aquelas horas. Alguém me disse "isso é que foi crescer"... Eu sei, naquele momento não havia espaço nem tempo para ter medos, receios, fome ou dores nas pernas. Era o meu pai e precisava de mim. Sinto que fiz o máximo que podia e continuo  fazer todos os dias, cada vez que o vejo deitado naquela cama. Cada vez que tenho de ralhar com ele. Cada vez que o obrigo a estar quieto. Cada vez que lhe dou um Brufen para as dores... 
Obrigada meu Deus, meu anjo da guarda, obrigada por teres deixado o meu pai perto de todos nós. Obrigada por o teres protegido das más energias e dando-lhe força para que lutasse contra as adversidades da queda. Obrigada meu anjo da guarda, por permitires que a cada dia que passa eu possa continuar a olhar o meu pai. 
Obrigada !